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segunda-feira, 9 de março de 2009

"Idei@s_16_"Criatividade e Inovação: Uma resposta à crise

O presente impõe formas. Sair dessa esfera e produzir outras formas constitui a criatividade

Hugo Hofmannsthal



Estive recentemente em Bruxelas a representar Portugal numa conferência sobre Criatividade e Inovação, que abordou o papel das artes, da cultura da criatividade e da inovação no mundo de hoje. Não resisto assim em partilhar algumas das ideias e conceitos que foram focados.

Vários estudos têm vindo a mostrar claramente, que dentro de 25 anos, as sociedades basear-se-ão nas emoções e nos enfoques criativos de cada pessoa. Não podemos assim deixar de ter em conta estas duas referências: a criatividade e a inovação, como referências prioritárias, não só para as instituições europeias, mas, essencialmente, para as nacionais e ainda como os pilares mestres do seu desenvolvimento e progresso.

Também é importante reforçar, neste actual contexto de crise económica e financeira, o papel que a cultura e as artes, enquanto manifestação da criatividade e a inovação, devem ter como parte da resposta ao problema da crise, contribuindo para mais soluções e novos processos, geradores de mais emprego.

O fim da era das certezas, das garantias é inevitável a curto prazo. Só assim, o potencial humano, pode revelar a verdadeira dimensão da sua importância no Investimento, Investigação, Educação, Inovação e Criatividade. Deste modo estaremos, certamente, a contribuir para um novo modelo mais justo, mais funcional e mais próximo das pessoas como um todo duma sociedade mais igualitária.

É sabido que o futuro da Europa depende do capital humano, pelo que é necessário ajustar as medidas, outrora implementadas, às realidades das exigências actuais tornando-as, deste modo, mais eficazes, não só em termos de oportunidade, mas também em termos duma objectividade mais realista.

De tal atitude resulta que o papel da educação, como meio para se atingirem fins mais inovadores com novas mentalidades, se deva revelar mais eficaz na formação de uma nova geração e no aproveitamento das suas inatas capacidades, potenciado um novo modelo, baseado no conceito de "aprender fazendo". A aposta é clara e fulcral.

Como já referi, a criatividade, resulta de uma mentalidade inata do homem, onde o surgimento continuado da inovação, vai perspectivar e conceder-lhe um novo estilo de vida, com um mesmo direito de oportunidades. Tenhamos em conta que este passo em frente deverá vir ancorado numa formação educacional e intelectual, para que a oportunidade de uma nova vida não seja um direito de uma elite.

Sintetizo com a ideia de que a Inovação e Criatividade, aliadas a um potencial qualificante, devem estar ao alcance de todos, por forma a que possamos encontrar o rumo de uma nova vida, a nossa própria melodia com que a encaramos e, o nosso próprio caminho.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Idei@s_13..."Inovação,Cultura e Alentejo"*

*Em parceria com José Nascimento

«Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive»
José Ortega y Gasset

O ano de 2009 será o "Ano Europeu da Criatividade e da Inovação". Um ano onde tais objectivos estarão alinhados com vista a uma maior sensibilização da sociedade pela importância que representam para futuro sustentável não só da Europa mas também do Mundo, não devendo, contudo, ser apenas prioridades e desafios transnacionais, mas sim responsabilidades que não deverão passar ao lado das regiões de Portugal, particularmente, do Alentejo. Nesta medida, cabe-nos a nós, sociedade alentejana, um dever de contribuir para um Alentejo mais inovador, marcando em toda a linha do progresso, uma forte presença de afirmação além fronteiras, como uma região de forte identidade, global e culturalmente inovadora.

O desenvolvimento da nossa região, em tudo deve ser feito com base em soluções diferenciadas, sustentadas em factores distintivos, donde sobressai uma cultura já centenária e enraizada nas suas gentes ao longo de muitas gerações, devendo assumir um papel indutor e funcionar como uma alavanca fundamental para o desenvolvimento da educação, da criatividade e do empreendedorismo.

O que as gentes do Alentejo fizeram ao longo dos séculos é hoje um património inestimável, compatível com o que se faz hoje em dia na arte, na publicidade, no design, no cibermundo e na produção de novos projectos culturais para consumo de todo o país. O tradicional, o moderno e o contemporâneo na arte e no artesanato no Alentejo, estão na base da inovação necessária para repensar a cultura, dotando-a de novas formas, valências e valor de mercado.

Este Governo acreditou e pôs em prática um plano para a modernização de Portugal, uma aposta no futuro das pessoas. A tecnologia, o conhecimento e a inovação representam uma resposta aos novos desafios. Representam a antecipação de um novo movimento em volta de novas prioridades. Representam a renovação e a criação de um novo País. Um Portugal que liga o tradicional com o moderno, mas um país mais competitivo a nível global, onde a inovação cultural possa desempenhar um novo papel e constituir-se como um dos motores de afirmação.

Num mundo cada vez mais globalizado, a cultura do Alentejo, baseada nas suas tradições será cada vez mais a verdadeira variável diferenciadora, ou seja, se for bem trabalhada será uma arma excepcional de competitividade. A aposta está em conseguir reforçar e pulverizar as suas potencialidades através das novas tecnologias e pela sociedade da informação. Para isso é necessário trabalhar conteúdos e canais multimédia, que permitam que essa informação chegue de uma forma privilegiada a todos.

Deixemo-nos contagiar pelo dinamismo do Plano Tecnológico. Reforcemos pois o papel da cultura como um instrumento de criatividade e inovação, empreendendo todos em conjunto, novas fronteiras solidárias de desenvolvimento.