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domingo, 26 de abril de 2009

35 anos da Revolução de Abril

Não esqueçamos que em tempos não havia liberdade. Não havia democracia. Não havia uma melodia ....

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Idei@s_12..."Sim, nós conseguimos"


«A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro»
John Kennedy

Escrevi este número do "Idei@s" durante a noite das eleições norte-americanas, seguro de que um resultado pela mudança poderia surgir a todo o momento. Escrever algumas linhas sobre as eleições norte-americanas, é escrever sobre as eleições mais mediáticas do mundo e também as mais caras de toda a história democrática dos EUA.

Durante as várias emissões especiais que foram surgindo um pouco por todo o mundo sobre estas eleições, ouvi algo que me chamou a atenção e vem ao caso referir.

Nos EUA, mais concretamente, em Washington, há o costume de se dizer que, se em vésperas de eleições a equipa local perder, o Presidente no poder perderá igualmente as eleições abandonando assim a Casa Branca. Ora, por mais curioso que pareça, na véspera das eleições, os Red Skin de Washington, perderam contra os serralheiros de Pitsburgg, e não foi uma derrota qualquer, mas sim uma das mais históricas para o clube de Washington. Esta vitória dos Serralheiros e de Obama representou claramente uma mudança no plano desportivo e político, dando a todos os norte-americanos a esperança de um novo rumo, fruto de uma vitória estrondosa e única na história norte-americana.

Acredito em Obama. Acredito na mudança de uma América de Bush, Republicana, tradicional, conservadora, para uma América Democrata, progressista, unitária, integradora e social. Uma América sustentável e consciente do seu novo papel num mundo em profunda mudança e em rede.

Obama representa o êxito da luta pelos direitos civis num país onde o pecado original sempre foi a escravidão. Representa um novo fôlego de atitude face á estagnação de uma atitude adormecida. Representa, o grito do epiranga norte-americano para responder à crise mundial através de uma nova estratégia global e integradora de luta contra o terrorismo; de uma nova disposição para conversar com o mundo em vez de impor sua vontade sobre ele; um voto de confiança no futuro da sua democracia e na politica enquanto instrumento de orientação ao serviço da humanidade.

Entre "mudança-precisamos" e "o país em primeiro"; entre uma mensagem de mudança, de alternativa, de um novo rumo, de resposta face a uma mensagem desgastada, nacionalista e militarista, a escolha não foi difícil.

Obama ganha mas não circunscreve a sua vitória aos Estados tradicionalmente democratas.
Obama vai mais longe: vai à procura de um novo ideal norte-americano conquistando importantes bastiões republicanos como o da Florida; do Colorado; de New México; do Nevada; do Iowa; do Ohio; da Virgínia e de Indiana, ultrapassando os 62 milhões de votos alcançados por Bush anteriormente, cifrando a sua vitória em 63,3 milhões de votos.

Com Obama o Partido Democrata Norte-Americano é relançado para um patamar eleitoral que desde Jimmy Carter não ultrapassava a barreira dos 50% das intensões de voto. Com Obama isso foi possível.

"Sim, nós conseguimos" - disse o candidato até então improvável, ao povo norte-americano em especial e, de forma indirecta, ao mundo inteiro; disse o candidato que realizou um sonho outrora impossível de se concretizar.

Obama é, assim, não só uma lição para o mundo, mas um rejuvenescimento do ideal democrático e político. É a esperança do entendimento e do respeito pela soberania dos povos.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Idei@s_10..."As Novas Torres de Babel - Parte II"

«Cada Nação tem o seu profeta;
cada Nação tem a sua época»
Corão 10,48

Na primeira parte deste texto dedicado ao tema “As Novas Torres de Babel” e, baseado-me nas idéias e pensamentos dum pequeno livro adquirido recentemente, procurei despertar o interesse para um tema que, pertencendo já ao passado é, contudo, presente e futuro.

Deixei também uma reflexão em jeito de convite para quem entendesse contribuir para esta segunda parte.

Surpreendentemente foram alguns os comentários e argumentos que me chegaram por email. Digo surpreendentemente, não por duvidar da profundidade da reflexão e da sua importância, mas sim por ela exigir algo de nós, como tempo e espírito de participação cívica, elementos essenciais em qualquer reflexão, e sobre qualquer assunto. No caso particular, isto é na vertente democrática, tais elementos são peças de que nunca podemos abdicar, pois resultam da própria Democracia e dos movimentos democráticos a ela associados.

A reflexão que então deixei tinha como horizonte, o futuro do movimento democrático e da própria democracia e, ainda, os persupostos sobre os quais ela deveria assentar: se na unidade dos povos com base numa diversificada diferenciação, ou, antes pelo contrário, numa unidade discriminatória da diferença coletiva. As diferentes posições variaram, por um lado, em função das próprias ideologias e, por outro, em função das próprias vivências individuais.

Pessoalmente, julgo que o futuro da Democracia e da Humanidade passa, sem margem para quaisquer equívocos, pela aceitação das diferenças politico-ideológicas, históricas e religiosa de cada um dos nós, como um todo na direção de um futuro, onde a unidade e a igualdade de tratamento entre os homens não é já uma utopia de princípios mas uma realidade que aos poucos nos foi conduzindo a um espaço de democracia com o qual nos identificamos.

Mas para além da ideia de Democracia e do movimento democrático e, ainda, de como estão a ser reedificados pelas novas Torres de Babel, o autor apresenta-nos também dois conceitos de igual importância para o redesenhar cíclico da história da humanidade e do percurso pela mesma trilhado. Refiro-me ao conceito de Nação e ao de Religião. Assim, e ao contrário do que deixei patente na primeira parte deste texto, baseada num livro, gostaria de me referir, em jeito de síntese e a par da Economia e do Progresso, a este dois baluartes essenciais numa sociedade rumo à igualdade de princípios e de oportunidades.

A palavra Nação, do latim natio, de naturs, segundo a definição clássica mais usual, é a reunião de pessoas, da mesma raça, que falam o mesmo idioma, têm os mesmos costumes e adotam a mesma religião, formando, assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características raciais e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião e língua.

Stael, dizia num dos seus livros, que “uma Nação só tem caráter quando é livre”. Para mim esta liberdade e este carácter, está associado ao movimento democrático como movimento regenerador de uma nova Nação. Uma Nação mais cívica, mais proativa, mais criativa, mais segura e mais preparada. Uma Nação livre, com carácter, e mais respeitadora das demais diferenças culturais, políticas e religiosas.

Por outro lado temos a Religião, do latim religio - o conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.

Como diria Ghandi, “uma vida sem religião é como um barco sem leme”. A crença em algo superior colmata, assim, uma das necessidades básicas da humanidade, a auto-estima e, por isso, é algo eterno, supremo, único.

Vejamos então: as nações só têm caráter quando são livres, ou seja, quando vivem em democracia. Por outro lado, só conseguem progredir e evoluir, quando estão seguras do caminho e das decisões tomadas, isto é, quando estão conscientes de que nem tudo são facilitismos, acreditando assim nas capacidades inatas das suas gentes e, porque não, em algo supremo que está para além da física, porque um barco cujo timoneiro é alguém sem fé, é um barco à deriva, sem bússola que o oriente e sem leme que o guie.

Não devemos, pois, dissociar os conceitos Democracia, Nação e Religião, apresentados por Pierre Manet no livro «A Razão das Nações», da evolução humana e da construção das novas "Torres de Babel", antes pelo contrário e tendo presente o sentido da unicidade, devemos inviabilizar que as mesmas sejam construídas com base na idéia de que qualquer diferença colectiva põe em perigo a unidade humana, tornando irrelevante toda a diferença. Devemos bloquear tal construção, lutando diariamente, nos nossos meios sociais, dentro dos nossos grupos, pela união dos povos, assente nessa diferença cultural, religiosa, política e histórica.

Para quem ainda duvida da razão desta e de outras leituras, sejam elas quais forem, queria apenas dizer que um belo texto é sempre aquele que semeia em redor os pontos de interrogação. Espero ter semeado alguns com as “Novas Torres de Babel”.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Idei@s_09..."Novas Torres de Babel-Parte I"

«A Democracia...é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade, indiferentemente, a iguais e desiguais »
A República, Platão


Recentemente adquiri um pequeno livro: desses que se lêem durante o almoço, ou, durante um passeio no parque. Um desses livros que aparentemente não nos parecem suscitar qualquer interesse, como a sombra de um banco no chão de uma calçada, ou, de um simples raio de sol invadindo um beco escondido. Um livro pequeno, de capa escura e sem quaisquer grafismos inovadores.

Uma primeira leitura desse livro, levou-me a uma curta viagem aos tempos de universitário, onde, durante o intervalo das aulas então leccionadas, para além dos temas genéricos e habituais, discutíamos sobre política e Democracia, e onde posições contrárias eram mais do que normais e frequentes. E era nessa diferença que residia a riqueza das ideias e a sustentabilidade dos passos futuros de cada um e estava subjacente a ideia da Democracia outrora conquistada. Este livro, de apenas 85 páginas, fala sobre as nações, as suas culturas, a democracia, o projecto europeu, etc. Em síntese, 85 páginas sobre a Democracia, a Nação e a Religião. É verdade: não parece ser muita a informação que podemos encontrar em tão poucas páginas, mas é sem dúvida profunda a reflexão que delas podemos tirar, seja qual for a nossa posição.

Uma das reflexões deste autor – nome que não revelarei, pois espero que a curiosidade vos leve a ler as crónicas seguintes que dedicarei a este tema, na procura de alguma pista que o identifique –, que me chamou a atenção, está relacionada com o conceito da Democracia moderna. A ideia chave desta reside numa edificação simultânea de duas torres de Babel que disputam, diplomaticamente entre si, a autoria da Democracia futura. Mas, ao contrário do conceito da “Babel” bíblica, estas torres, estão a ser edificadas sustentando-se na ideia de que, uma vez que qualquer diferença colectiva põe em perigo a unidade humana, é imprescindível tornar irrelevante toda a diferença e, sob o flash desta unidade proclamada pelas novas torres de Babel, a humanidade mobiliza-se, pouco a pouco e sem se dar conta, para uma liturgia contínua e interminável de adoração de si, descaracterizando-se a si, à Democracia e, ao futuro da humanidade.

Até ao próximo número do Idei@s, gostaria de vos deixar uma interrogação, para a qual, felizmente, ainda não tenho resposta pois uma contribuição assente na diferença formulará uma resposta mais rica:

“Poderá a Democracia futura continuar a assentar no pressuposto de uma unidade de povos cultural, religiosa, política e historicamente diferente? Ou estaremos rumo a uma Democracia descaracterizada, assente numa diferenciação desmedida e baseada numa “diplomacia pingue-pongue entre as duas novas torres, onde o princípio da unidade assente na diferenciação está a desaparecer e o princípio unificador das nossas vidas a perder a sua forte ligação?”