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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Idei@s_22_"Dois Natais"

«A Alam Humana é feita pra não estar sozinha»
Pierre Chardin

Mesmo quando 40% dos portugueses* diz que irá gastar menos este ano durante o período Natalício, continuamos a ver milhares de pessoas que invadem de manhã à noite as nossas ruas, lojas e centros comerciais, num movimento louco à procura de algo que durante o ano possivelmente não conseguiram ou não tiveram tempo de encontrar. E porquê nesta altura? E porquê todo este frenesim? A resposta dada por 99% destas pessoas é simples: "É  Natal e por isso devemos e havemos de poder comprar. É assim. É isso que importa".

Por ser Natal cometem-se excessos, esquecem-se dificuldades, pretende-se comprar sentimentos e, por vezes, faz-se de conta que todos nos preocupamos por algo ou alguém.

Mas quem consegue estar imune a este movimento de consumismo desmedido nesta época? Neste particular, assumo que também faço parte deste movimento de pessoas que nesta altura entra e sai em diversas lojas e, que passa horas num centro comercial, tentando riscar todos os nomes daquela lista feita à última hora por forma a não esquecer ninguém. Contudo, não é por fazer parte desse grupo que cede, em parte, ao consumismo natalício, que ignoro a verdadeira essência do espírito de Natal e do seu verdadeiro significado.

Não esqueçamos a Ceia de Natal em família; a harmonia proporcionada pelo verdadeiro amor familiar; o convívio com aqueles que não vemos regularmente e, muito especialmente, com os que algo distantes,  face ao stress provocado pela nossa sociedade, diariamente não têm tempo para nos lançar um sorriso, ou, dar um forte abraço.

É o momento ideal para uma verdadeira introspecção à nossa conduta perante a factualidade que tem vindo a afligir, não só a nossa sociedade, mas, também, as outras além fronteiras, das quais não podemos dissociar o nosso destino. É, ainda, um momento oportuno de profunda reflexão retrospectiva, ao que ao longo dos últimos tempos fomos sendo capazes de construir. Em síntese, é um momento especial de análise e de definição de vontade de traçarmos novas metas e,  por assim dizer,  um período em que pomos de parte normas, rotinas diárias, reposicionando-nos na vida.

Como já anteriormente fiz sentir, não é por fazer parte deste grupo que nesta quadra se preocupa, de forma avassaladora, em comprar prendas, que ignoro a existência de um outro Natal!  Um Natal onde a maior preocupação não seja a que resulta de uma lista de prendas, ou, de um tempo para invadir lojas.

Termino, expressando a verdadeira existência de um Natal onde haja um espaço para partilharmos com quem e com o quê, a  celebração de uma noite de esperança. De um Natal que invada a vida do homem de forma continuada e não circunstancial. De um Natal que desperte os nossos corações já algo empedernidos, e que os torne mais sensíveis a momentos menos felizes que afectam, não só quem nos é próximo, mas muito especialmente quem não conhecemos e que sofre em silêncio. De um Natal onde mães e pais, perderam sentido pela vida com o desaparecimento de seus filhos. De um Natal, onde na mesa de uns, uma côdea de pão é o seu único manjar. De um Natal que faço brilhar nos olhos de quem muito precisa e despertar nos corações de quem pode ajudar, traços de uma realidade mais justa e nobre, por forma a dar um  verdadeiro sentido de Natal. De um Natal, onde o maior desejo de quem lhe estenda a mão, seja o de um gesto de carinho e o de lhe lembrar que afinal nem sempre estará só. De um Natal onde o maior desejo de todos nós se traduza na vontade de que a pessoa que temos ao nosso lado continue assim por largos anos.

Por tudo o que fui expressando, julgo que a melhor mensagem é aquela que sai em silêncio e directamente do nosso coração, aquecendo com ternura os daqueles que nos acompanham nesta caminhada que é a vida.

Não querendo esquecer a verdadeira essência deste período, lanço o desafio a todos os leitores para que durante os próximos dias parem, olhem, e com um sorriso de orelha a orelha, desejem um Feliz Natal cheio de muita harmonia e luz a quem o vosso coração vos disser que necessita de uma palavra amiga.

Eu desejo-vos isso!

Feliz Natal

*segundo um estudo recentemente divulgado pela GFK

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

idei@s_04..."Até Zagmuk"

Quando penso no que escrever, procuro sempre encontrar algo de novo, de interessante, de útil, de inovador.

Assim, nesta linha de orientação, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre as origens do período natalício e partilhá-lo com todos os leitores.

Uma vez que nem sempre é fácil escrever algo diferente sobre este período festivo que todos os anos mobiliza sociedades, procurei, nesta edição do idei@s, afastar-me das razões que estão no centro de tal mobilização e, tão simplesmente, passar uma mensagem de natal e fazer uma viagem até ao Zagmuk.

Gezur Krislinjden , Frohe Weihnachten , Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand, Nedeleg laouen, Bon Nadal, Chuk Sung Tan, Čestit Božić, Feliz Navidad, Gajan Kristnaskon, Hyvää joulua, Joyeux Noël, Kala Christougena , Kellemes Karácsonyt , Merry Christmas, Buon Natale, メリー·クリスマス, Kung His Hsin Nien, God Jul, Buon Nadal, Wesołych Świąt Bożego Narodzenia, Sarbatori Fericite, С Праздником Рождества Христова S prazdnikom Rozhdestva Khristova, Klidné prožití Vánoc, God Jul, Srozhdestvom Kristovym, Feiz Natal
Sobre a viagem ao Zagmuk, poderá argumentar-se a irrelevância em chamá-la à colação: que o passado já lá vai e que pouco adiante para o futuro.

Julgo eu, que mesmo a mais pequena viagem que possamos fazer ao passado, quando bem feita, poderá acrescentar algo de positivo ao presente, possibilitando uma maior visão em termos de futuro quanto a horizontes bem mais risonhos.

Voltemos então atrás no tempo e viajemos até à Mesopotâmia, actual território iraquiano.

A celebração do Natal e Ano Novo, segundo alguns historiadores, antecede o cristianismo em 2000 anos e leva-nos até ao Zagmuk, um festival mesopotâmico celebrado no inicio do Inverno, que durava 12 dias e servia para ajudar o seu Deus Marduk na batalha contra os “monstros do caos”.

Nestes tempos, o aproximar do final do ano representava para os mesopotâmios um período de crise, pois coincidia com a chegada do Inverno que simbolizava o enfurecimento dos “monstros do caos” e a batalha pelo sol entre estes e o seu Deus Marduk, responsável pelo "crescimento das coisas".

Todos os anos por volta da mesma altura o Deus Mordak ficava aprisionado no sub-mundo deixando o mundo à mercê dos monstros do caos, que pretendiam devorar o sol, impedindo assim o “crescimento das coisas” e o futuro e prosperidade do povo.

Segundo a tradição o Rei deveria morrer no final do ano para que, junto com o Deus Marduk, vencessem os “monstros do caos”. Para poupar a vida do Rei, durante os 12 dias um prisioneiro assumia o papel de falso Rei acabando por ser morto, levando todos os pecados consigo e restabelecendo a ordem. Posteriormente o verdadeiro Rei tomava o seu lugar e como forma de restituir o equilíbrio roubado era libertado um prisioneiro.

Muitos de vós perguntarão o porquê desta pequena viagem e qual a relação com o Natal e o Ano Novo.

Julgo que se servir para reflectirmos melhor, então deveríamos fazer várias viagens pela história ao longo do ano.

Os Mesopotâmios perante o problema que se avizinhava, analisavam a situação, definiam uma estratégia e encaravam o problema de frente, não lamentavam a sua desgraça e o seu futuro incerto ou viviam com base na esperança. Lutavam pela sua sobrevivência e por assegurar dias de sol, dias de “crescimento de coisas”.

A Mesopotâmia ao ser o berço da humanidade influenciou muitas civilizações que lhe procederam. Através da Grécia, o costume de celebrar o final do ano passou para os romanos sendo intitulado de Saturnalia. Para estes, a data em que o Sol começava a tornar-se de novo forte e a partir da qual o “crescimento das coisas” se tornavam novamente possível, era simbolizado pelo dia 25 de Dezembro. Este dia ficou conhecido como o dia do Nascimento do Sol Invicto e após a cristianização dos romanos passou a simbolizar o nascimento de Cristo, passando assim a ser celebrado o Natal como o conhecemos.

Não deverá ser este um período de convívio, de harmonia, reflexão, retrospectiva, análise do ano que decorreu, das necessidades e um momento de definição de novas prioridades?

Um período em que pomos de parte normas, rotinas diárias, reflectindo, reposicionando-nos na vida?

Estaremos a esquecer a verdadeira essência do Natal e do Ano Novo? Deixo isso à vossa consideração e desejo a todos os leitores umas festas felizes.