
Assim, nesta linha de orientação, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre as origens do período natalício e partilhá-lo com todos os leitores.
Uma vez que nem sempre é fácil escrever algo diferente sobre este período festivo que todos os anos mobiliza sociedades, procurei, nesta edição do idei@s, afastar-me das razões que estão no centro de tal mobilização e, tão simplesmente, passar uma mensagem de natal e fazer uma viagem até ao Zagmuk.
Gezur Krislinjden , Frohe Weihnachten , Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand, Nedeleg laouen, Bon Nadal, Chuk Sung Tan, Čestit Božić, Feliz Navidad, Gajan Kristnaskon, Hyvää joulua, Joyeux Noël, Kala Christougena , Kellemes Karácsonyt , Merry Christmas, Buon Natale, メリー·クリスマス, Kung His Hsin Nien, God Jul, Buon Nadal, Wesołych Świąt Bożego Narodzenia, Sarbatori Fericite, С Праздником Рождества Христова S prazdnikom Rozhdestva Khristova, Klidné prožití Vánoc, God Jul, Srozhdestvom Kristovym, Feiz Natal
Sobre a viagem ao Zagmuk, poderá argumentar-se a irrelevância em chamá-la à colação: que o passado já lá vai e que pouco adiante para o futuro.
Julgo eu, que mesmo a mais pequena viagem que possamos fazer ao passado, quando bem feita, poderá acrescentar algo de positivo ao presente, possibilitando uma maior visão em termos de futuro quanto a horizontes bem mais risonhos.
Voltemos então atrás no tempo e viajemos até à Mesopotâmia, actual território iraquiano.
A celebração do Natal e Ano Novo, segundo alguns historiadores, antecede o cristianismo em 2000 anos e leva-nos até ao Zagmuk, um festival mesopotâmico celebrado no inicio do Inverno, que durava 12 dias e servia para ajudar o seu Deus Marduk na batalha contra os “monstros do caos”.
Nestes tempos, o aproximar do final do ano representava para os mesopotâmios um período de crise, pois coincidia com a chegada do Inverno que simbolizava o enfurecimento dos “monstros do caos” e a batalha pelo sol entre estes e o seu Deus Marduk, responsável pelo "crescimento das coisas".
Todos os anos por volta da mesma altura o Deus Mordak ficava aprisionado no sub-mundo deixando o mundo à mercê dos monstros do caos, que pretendiam devorar o sol, impedindo assim o “crescimento das coisas” e o futuro e prosperidade do povo.
Segundo a tradição o Rei deveria morrer no final do ano para que, junto com o Deus Marduk, vencessem os “monstros do caos”. Para poupar a vida do Rei, durante os 12 dias um prisioneiro assumia o papel de falso Rei acabando por ser morto, levando todos os pecados consigo e restabelecendo a ordem. Posteriormente o verdadeiro Rei tomava o seu lugar e como forma de restituir o equilíbrio roubado era libertado um prisioneiro.
Muitos de vós perguntarão o porquê desta pequena viagem e qual a relação com o Natal e o Ano Novo.
Julgo que se servir para reflectirmos melhor, então deveríamos fazer várias viagens pela história ao longo do ano.
Os Mesopotâmios perante o problema que se avizinhava, analisavam a situação, definiam uma estratégia e encaravam o problema de frente, não lamentavam a sua desgraça e o seu futuro incerto ou viviam com base na esperança. Lutavam pela sua sobrevivência e por assegurar dias de sol, dias de “crescimento de coisas”.
A Mesopotâmia ao ser o berço da humanidade influenciou muitas civilizações que lhe procederam. Através da Grécia, o costume de celebrar o final do ano passou para os romanos sendo intitulado de Saturnalia. Para estes, a data em que o Sol começava a tornar-se de novo forte e a partir da qual o “crescimento das coisas” se tornavam novamente possível, era simbolizado pelo dia 25 de Dezembro. Este dia ficou conhecido como o dia do Nascimento do Sol Invicto e após a cristianização dos romanos passou a simbolizar o nascimento de Cristo, passando assim a ser celebrado o Natal como o conhecemos.
Não deverá ser este um período de convívio, de harmonia, reflexão, retrospectiva, análise do ano que decorreu, das necessidades e um momento de definição de novas prioridades?
Um período em que pomos de parte normas, rotinas diárias, reflectindo, reposicionando-nos na vida?
Estaremos a esquecer a verdadeira essência do Natal e do Ano Novo? Deixo isso à vossa consideração e desejo a todos os leitores umas festas felizes.