«Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive»José Ortega y Gasset
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«Cultura é o sistema de ideias vivas que cada época possui. Melhor: o sistema de ideias das quais o tempo vive»

Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres:
um representa perigo e o outro representa oportunidade
John Kennedy
Existem várias maneiras de explicar o que se tem passado ultimamente no mundo financeiro e a causa do problema associada a todos estes movimentos que têm surgido com vista a uma rápida recuperação de um mercado global em crise.
Pessoalmente não dispenso uma boa história para explicar algo, não porque uma explicação teórica baseada em conceitos políticos, económicos, históricos e ideológicos não seja entendível, mas simplesmente porque fomos habituados e educados por histórias contados pelos avós, pais e vizinhos e na verdade sempre serviram para complementar o que nos era ensinado na escola.
João, um certo dia, recebeu do amigo António, um comerciante local, a troco de um favor prestado, uma lata de conservas sem qualquer tipo de etiqueta ou rótulo, tendo apenas marcados três “A” com tinta chinesa. António ao aperceber-se do ar surpreso do amigo, depressa explicou que a inscrição dos 3 “A” indicava que o conteúdo da lata de conservas era de alta qualidade e que a podia vender pelo preço que conseguisse. João, por não lhe passar pela cabeça desconfiar do seu amigo, pensou ter em seu poder um bem muito valioso que podia facilmente usar como forma de pagamento para o que necessitasse e quando necessitasse. Quando mais tarde decidiu comprar um fato para uma cerimónia importante, dirigiu-se a Miguel, o alfaiate da terra, e convenceu-o que o valor da lata de conservas com triplo “A” era igual ao valor do fato que o alfaiate queria cobrar. O Alfaiate por não poder desconfiar do seu cliente e amigo, decidiu aceitar a lata em troca do fato. Este por sua vez, usou a lata como forma de pagamento da sua consulta com o dentista local, José, que a usou para pagar um estudo de mercado que tinha encomendado ao economista Luís. Este, uma pessoa desconfiada de nascença, decidiu abrir a lata e averiguar se o seu conteúdo era tão valioso como se dizia. Para sua surpresa encontrou dentro da lata restos de sardinha, e papel sujo dobrado. Era uma lata com lixo. Luís, o economista, não aceitou a lata como forma de pagamento e pediu a José o dentista que lhe pagasse o estudo de outro modo. Este por sua vez pediu a Miguel que lhe pagasse a consulta. Miguel pediu a João para lhe devolver o fato e este pediu a António que lhe pagasse o favor de outro modo.
Moral da história: A lata que António usou para pagar um favor, serviu na prática para pagar um conjunto de bens e serviços do valor de 4 000 euros. Quando no final lhe foi pedido esse valor, António declarou falência, pois não tinha como dispor de tanto dinheiro. A especulação deu lugar à ruptura.
Actualmente nos Estados Unidos reina a desconfiança interbancária, o que provoca um estado inevitável de limbo económico-financeiro, onde bancos, seguradoras e outras instituições de mediação entram progressivamente em falência provocando um autêntico frenesim nas Bolsas Mundiais que oscilam ao som de um “Freestyle” até agora desconhecido.
Mas porquê esta desconfiança súbita dos últimos meses? Qual a origem da temida ruptura financeira que o sistema mundial receia?
Penso que esta história explica de uma forma muito simples o que aconteceu nos Estados Unidos e as fortes repercussões que teve no sistema financeiro mundial e na vida das pessoas, quando os comportamentos especulativos começaram a ter como inimigo a desconfiança e esta começou a crescer expondo a verdadeira cara do valor dos bens e serviços que ao longo do tempo tinham vindo a ser oferecidos pelos Bancos no mercado imobiliário. Tal como a história da lata que aqui contei e como diz o ditado popular, “foi vendido gato por lebre” durante bastante tempo enquanto não houve lugar para dúvidas.
Em Portugal e na Europa os líderes souberam dar uma resposta à altura. No nosso país, o recente orçamento de Estado aprovado na Assembleia surge como uma resposta a estas dificuldades que estamos a viver internacionalmente. A nossa capacidade de nos próximos tempos vencermos as dificuldades constantes que surgem está em grande parte nas empresas.
Temos um Orçamento de Estado. Não um orçamento eleitoral, mas um orçamento estrutural. Não um orçamento para ganhar votos, mas um orçamento para criar riqueza e desenvolver Portugal.
Vejamos então: as nações só têm caráter quando são livres, ou seja, quando vivem em democracia. Por outro lado, só conseguem progredir e evoluir, quando estão seguras do caminho e das decisões tomadas, isto é, quando estão conscientes de que nem tudo são facilitismos, acreditando assim nas capacidades inatas das suas gentes e, porque não, em algo supremo que está para além da física, porque um barco cujo timoneiro é alguém sem fé, é um barco à deriva, sem bússola que o oriente e sem leme que o guie.
Não devemos, pois, dissociar os conceitos Democracia, Nação e Religião, apresentados por Pierre Manet no livro «A Razão das Nações», da evolução humana e da construção das novas "Torres de Babel", antes pelo contrário e tendo presente o sentido da unicidade, devemos inviabilizar que as mesmas sejam construídas com base na idéia de que qualquer diferença colectiva põe em perigo a unidade humana, tornando irrelevante toda a diferença. Devemos bloquear tal construção, lutando diariamente, nos nossos meios sociais, dentro dos nossos grupos, pela união dos povos, assente nessa diferença cultural, religiosa, política e histórica.
Para quem ainda duvida da razão desta e de outras leituras, sejam elas quais forem, queria apenas dizer que um belo texto é sempre aquele que semeia em redor os pontos de interrogação. Espero ter semeado alguns com as “Novas Torres de Babel”.
«A Democracia...é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade, indiferentemente, a iguais e desiguais »
«O viajante é aquele quem mais importa numa viagem»
André Sauré
Portugal encontra-se agora preparado para iniciar mais uma volta ao mundo. Uma volta com Magalhães. Não a bordo da Nau Trinidad que outrora sulcou mares de forma épica, mas sim, através do primeiro instrumento de exploração digital de ligação ao mundo totalmente português, o portátil Magalhães. E nesta nova aventura agora iniciada, os descobridores, isto é, os navegadores, serão todas as crianças entre os 6 e os 10 anos, que poderão entrar na rede, dar largas à sua curiosidade e desenvolver a sua imaginação, navegando no hiperespaço pelo mundo fora, conquistando novos destinos, novos mundos por si idealizados e preparando-se diariamente para a resolução de problemas.
O anúncio do primeiro portátil inteiramente português: o Magalhães, integrado na iniciativa e-escolinha no âmbito do Plano Tecnológico a ser distribuído a cerca de 500.000 crianças, foi anunciado por José Sócrates a 30 de Julho passado e representa uma clara aposta nas novas gerações – os jovens e as crianças, e uma intenção clara de continuar o caminho traçado para colocar Portugal na rota mundial do conhecimento e do sucesso, provocando assim uma reforma geracional e uma mudança de atitudes.
O Portátil Magalhães estará disponível a partir do próximo ano lectivo a título gratuito, ou, nalguns casos, a um preço simbólico, vindo já equipado com software de última geração adequado às capacidades destas crianças. É resistente ao choque, à água e aos líquidos em geral. Vem ainda equipado com uma webcam e placa gráfica onboard. Estas características tornam o Magalhães uma excelente ferramenta de trabalho para qualquer criança e adulto.
Esta aposta representa uma mudança radical e um grande salto cultural para o século XXI. Uma aposta clara numa nova geração que liderará e estará completamente integrada e capacitada para competir neste mundo globalizado e em rede, integrada num Portugal do conhecimento, da tecnologia, da inovação e do sucesso. Um aposta nas crianças, na nova geração Magalhães, numa geração em rede, dos novos argonaustas, mas agora cibernautas.

“Esperar é desmentir o futuro”
Emil Cioran
Há três anos atrás, os portugueses escolheram o destino do seu País, fazendo-o de entre dois caminhos diferentes.
Por um lado, tomaram consciência que o caminho tomado nos estava a levar a um impasse, causador de um inativismo, de um retrocesso económico, social, ambiental e tecnológico. De um acomodar sobre o ideal de que um emprego é para toda a vida. Tal visão, era sem dúvida mau preságio para um qualquer desenvolvimento que pretendesse inverter o inativismo, implacável redutor de objectivos positivos e dos quais a vontade de não nos afastarmos dos restantes países da União Europeia assumia vital importância.
Por outro lado e onde o bom senso imperava, vislumbraram o caminho que se identificava com um horizonte moderno, onde a vontade lusitana pudesse de novo regressar aos momentos de glória de um passado épico cantado por Camões. Onde a raça e a vontade de gerações de outrora, adaptada às realidades presentes, pudesse agregar de novo e em volta de uma nova esperança, um povo que também merecia estar na linha da frente relativamente aos seus parceiros europeus, afastando, assim, o fantasma do hipotecamento das gerações futuras.
Afinal os portugueses escolheram em consciência e de livre vontade o caminho do futuro para Portugal, isto é, o caminho de um horizonte moderno, uma vez que o bom senso foi a pedra de toque na consciencialização de que era necessário e, muito rapidamente, arregaçar as mangas e deitar mãos à obra, recuperando uma casa em completo declínio.
Agora, mais do que nunca, as ideias apresentavam-se tão claras. Se, por um lado a direita apresentava o choque fiscal que, e em poucas palavras, pretendia aumentar a competitividade do País através de uma redução dos custos de produção, a esquerda, por outro, apostava no futuro de Portugal, apresentando o choque tecnológico, a única realidade capaz de levantar a sua economia e melhorar a vida dos portugueses, tendo presente os sacrifícios necessários, afastando-se, de promessas demagógicas.
O objectivo da esquerda era o da mudança da base competitiva, o da maior qualificação profissional dos portugueses, por forma a garantir, não só o seu posicionamento, mas e também, o posicionamento de Portugal no mercado internacional, levando-nos a subir na cadeia de valor e a ser líderes à escala global nas áreas de elevada especificidade.
A esquerda decidiu, assim, apostar no conhecimento, na tecnologia e na inovação, vertentes que tornaram esta aposta num caminho de um só sentido, com vista a fazer de Portugal um país melhor, mais competitivo, com melhores qualificações e melhor adaptado às novas realidades e tendências internacionais.
Podemos então sintetisar os objectivos que se propunham atingir aqueles dois caminhos diferentes. Se o primeiro optou por uma agenda conservadora e de manutenção de propósitos que se revelaram inadequados às necessidades e desenvolvimento de Portugal. Já o segundo, aquele identificado com a esquerda apontava no sentido de uma agenda de transformação e progresso. A escolha foi clara e inequívoca e os portugueses apostaram num futuro transformador e progressista para o seu País.
Contudo, não se deva cair na ilusão de que a nós, apenas nos cabia o dever de escolher a melhor opção para o País. Cabia-nos e cabe-nos, a cada um de nós, saber aproveitar as condições e oportunidades geradas por essa nossa escolha, por forma a redimencionar o nosso futuro, fazendo-o à escala dos nossos parceiros europeus.
Mas como? perguntarão muitos. A resposta a tal interrogação é curta ainda que traga subjacente o esforço e o trabalho necessários para que seja eficaz.
A aposta no “Triângulo do Sucesso” é inevitável e para isso temos de tomar nas nossas mãos o futuro e acreditar. Ao não fazê-lo, só estamos a dar a oportunidade aos de fora que tomem o nosso lugar, restando-nos, lamentar o simples e triste fado de termos uma tendência ancestral de sempre perdermos o comboio do futuro.
Não nos devemos considerar menos capazes do que outros povos. Lá fora, portugueses que pensam diferente e acreditam nas suas capacidades são a montra do que produzimos e o reflexo de uma educação superior voltada para a especificidade das novas tecnologias em todas as áreas onde ela seja suporte de progresso. E, ao contrário do que muitos pensam, existe já reconhecimento do esforço que Portugal tem vindo a fazer para se chegar aos da frente em termos de desenvolvimento tecnológico.
Devemos, pois, ser optimistas e “acreditar” que é possível atingir a meta do progresso, mesmo tendo presente as mudanças que têm vindo a fragilizar a economia mundial, reflexivamente, a economia portuguesa. Neste particular importa, ainda o “dever/querer” saber mais e apostar no “Conhecimento”, âncora de todo o desenvolvimento tecnológico.
Por último temos de ser capazes de “Aprender”, de modo a adquirirmos alicerces para criar valor e estar à altura de competir no mercado em rede e global.
Mas para que o “Triângulo do Sucesso” seja aproveitado por todos nós, não basta apenas aceitá-lo como necessário e esperar que o vizinho leve o cabo. Temos de mudar de atitude, pois, a mudança urge e não é compatível com a lenta mudança da mentalidade portuguesa.
Temos que deixar de pensar no que queremos ser e passar a definir como queremos contribuir para o nosso País e, consequentemente, para a nossa competitividade. A diferença reside na tónica do “que fazer para” e não no “querer ser para”.
Esqueçamos o emprego para toda a vida. Esqueçamos a espera indiferente de um dia melhor. Esqueçamos a passividade e o comodismo. Nesta sociedade do Conhecimento e neste mundo global e em rede, a proactividade, a iniciativa, o espírito empreendedor e a motivação, são pilares representativos de um futuro auspicioso. Façamos então o futuro para bem de todos nós, de cada um em especial e, de Portugal, que sempre soube ultrapassar obstáculos considerados intransponíveis, recorde-se a propósito, a épica aventura levada a cabo pelo Infante Henrique em dar novos mundos ao mundo.
Portugal é hoje um país em mudança. Um país que soube sair da rota das meras intenções e entrar no caminho do desenvolvimento com feitos presentes: isto é, de um antes inoperante para um depois activo.
Há quem venha insistindo em dizer que Portugal e os portugueses não têm futuro. De que a sua economia pouco ou nada tem evoluindo, mesmo sabendo que a realidade vem demonstrando o contrário.
Quando penso no que escrever, procuro sempre encontrar algo de novo, de interessante, de útil, de inovador.
Por entre horas tardias, entre preparativos de aniversário com amigos com trocas de sms de última hora e trabalho pendente, procurei desesperadamente um refúgio, um momento de descanso, começando assim a folhear um novo livro que adiciono aos amontoados na minha mesa-de-cabeceira. Não que por esse facto o desvalorize, pois encaro o acumular de linhas ao meu alcance como algo reconfortante. O descanso e o trabalho pendente prolongaram-se e deram lugar por um lado a estas linhas e o por outro a um descanso tardio.
«Lisboa é um porto seguro para a Europa …»
«O universo é o local sem paredes …»